Reforma Tributária

Reforma tributária 2026: o que a prefeitura precisa fazer já na fase de testes do IBS/CBS

2026 é ano de testes do IBS e da CBS: sem arrecadação nova, mas com obrigações já valendo. Veja o checklist operacional do que sua prefeitura precisa fazer agora.

Reforma tributária 2026: o que a prefeitura precisa fazer já na fase de testes do IBS/CBS Reforma Tributária

Se você é secretário de fazenda ou tributação, a pergunta que importa em 2026 não é mais o que a reforma tributária muda — é o que a sua prefeitura precisa fazer agora. Este ano é a fase de testes do IBS e da CBS: ainda não há arrecadação dos novos tributos, mas já existem obrigações valendo, e quem deixar para depois corre risco real de perder transferências da União.

Este artigo é um guia prático, com checklist e prazos. Se você quer primeiro entender os fundamentos (o que são IBS, CBS, a EC 132/2023 e a LC 214/2025, e por que o FPM é mantido), comece pelo nosso artigo de base: Reforma tributária e municípios: o que muda com IBS e CBS. Aqui o foco é a ação.

O que muda na prática em 2026 (e o que ainda não muda)

Desde 1º de janeiro de 2026 vigora uma alíquota de teste de 1% — 0,9% de CBS (federal) e 0,1% de IBS (estadual e municipal). A apuração tem caráter meramente informativo, sem efeitos tributários, conforme o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1, de 22 de dezembro de 2025.

Em outras palavras:

O cronograma da transição vai de 2026 a 2033: a CBS e o Imposto Seletivo começam a ser cobrados em 2027, o IBS entra em transição a partir de 2029, e a extinção total do ISS e do ICMS está prevista para 2033.

A obrigação número 1: aderir ao padrão nacional da NFS-e

Esta é a tarefa mais urgente e a de maior risco financeiro. O artigo 62 da LC 214/2025 tornou obrigatória, desde 1º de janeiro de 2026, a adoção do padrão nacional da NFS-e por todos os municípios.

A consequência de não aderir é direta para o caixa do município: a LC 214/2025 prevê a suspensão do direito a transferências voluntárias da União e limitação na participação plena na arrecadação do futuro IBS. Ou seja, o mesmo tipo de bloqueio que você já conhece do CAUC — convênios e repasses travados — agora também depende da NFS-e nacional.

Há dois caminhos para cumprir a exigência:

  1. Emissor Nacional gratuito da NFS-e (plataforma da Receita Federal e do Serpro): solução pronta para municípios sem sistema próprio robusto.
  2. Sistema próprio integrado ao Ambiente de Dados Nacional (ADN), desde que cada documento seja transmitido no layout unificado.

Se a sua prefeitura tem um sistema de arrecadação próprio ou contratado, confirme com o fornecedor se ele já está integrado ao ADN e atualizado conforme as Notas Técnicas mais recentes (o layout da NFS-e vem sendo revisado ao longo de 2026 para acomodar IBS e CBS).

Checklist prático: o que providenciar agora

Use esta lista como roteiro de preparação na secretaria de fazenda/tributação:

Prazo que afeta seus contribuintes: Simples Nacional em setembro/2026

Embora a escolha seja da empresa, ela impacta a base econômica do município — e a prefeitura ganha pontos orientando o contribuinte local. A opção pelo Simples Nacional para 2027 deve ser feita entre 1º e 30 de setembro de 2026 (Resolução CGSN nº 186/2026).

No mesmo período, a empresa do Simples decide se recolhe o IBS e a CBS dentro do boleto único do regime ou pelo regime regular (por fora). Atenção: essa regra de setembro não se aplica ao MEI — para o SIMEI, a opção continua em janeiro de cada ano.

O município está na governança: o papel no CGIBS

Vale o gestor saber que o município não é mero espectador da reforma. O Conselho Superior do Comitê Gestor do IBS (CGIBS) tem 54 representantes em paridade federativa: 27 dos estados e do DF e 27 dos municípios (LC nº 227/2026). Das 27 cadeiras municipais, a CNM designa 14 e a FNP, 13.

Isso significa que as entidades municipais participam diretamente das decisões sobre o novo imposto — regulamento, repartição e regras operacionais. Acompanhar as Resoluções do CGIBS é acompanhar decisões que vão afetar a receita da sua cidade a partir de 2029.

O custo de não se preparar

Deixar a adequação para 2027 ou 2028 cobra caro. Os riscos concretos:

2026 existe justamente para errar de graça. Quem usa o ano de testes para arrumar a casa chega em 2027 sem sustos.

Perguntas frequentes

A prefeitura arrecada IBS ou CBS em 2026?
Não. Em 2026 a apuração tem caráter meramente informativo, sem efeitos tributários. O ISS continua sendo a receita real do serviço durante a transição, que vai até 2033.

O que acontece se o município não aderir ao padrão nacional da NFS-e?
A LC 214/2025 (art. 62) prevê a suspensão do direito a transferências voluntárias da União e limitação na participação plena na arrecadação do IBS. É uma exigência sem flexibilização — a adesão é a tarefa mais urgente de 2026.

Qual o prazo do Simples Nacional na reforma?
A opção pelo Simples para 2027 vai de 1º a 30 de setembro de 2026, quando a empresa também escolhe recolher o IBS/CBS dentro ou fora do boleto único. Para o MEI (SIMEI), a opção segue em janeiro.

Quando o IBS substitui o ISS?
O IBS entra em transição a partir de 2029 e o ISS é extinto totalmente em 2033. Por isso 2026 e 2027 são o momento de preparar cadastros e sistemas.

Preciso comprar um sistema novo de NFS-e?
Não necessariamente. O município pode usar o Emissor Nacional gratuito (Receita Federal/Serpro) ou manter sistema próprio, desde que integrado ao Ambiente de Dados Nacional (ADN) no layout unificado.

Como o FacilitaGOV ajuda nessa transição

A reforma tributária adiciona mais um item à longa lista de coisas que o gestor precisa vigiar — e que, se passarem batido, travam recursos. O FacilitaGOV consolida as fontes federais que decidem se o seu município recebe ou perde recursos (CAUC, CAPAG, FUNDEB, emendas, convênios, FNS e mais) e dispara alertas no seu celular quando algo muda — antes que vire prejuízo.

Assim, enquanto sua equipe trabalha a adequação à NFS-e e ao IBS, você não perde de vista o que já bloqueia transferências hoje. Conheça o FacilitaGOV e monitore a regularidade do seu município de forma proativa.

Foto de Olga DeLawrence na Unsplash.

Acompanhe os dados do seu município antes que virem problema.

O FacilitaGOV monitora CAUC, CAPAG, emendas, convênios e FUNDEB e te avisa quando algo muda — com tempo para agir.

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