Subir de nota na CAPAG não acontece em um decreto nem em um único mês. Mas também não é mistério: é o resultado de decisões fiscais consistentes, tomadas no momento certo e monitoradas com disciplina. Este guia apresenta uma sequência prática para municípios que querem sair do C — ou garantir que o B não vire C.
Passo 1: diagnóstico cirúrgico dos três indicadores
Antes de qualquer ação, o secretário de finanças precisa conhecer o valor exato de cada indicador — não apenas a nota final. É possível estar com B geral, mas com o endividamento em A, a poupança corrente em A e a liquidez em B prestes a virar C. Nesses casos, toda a energia deve ir para a liquidez.
Acesse o SICONFI e o portal Tesouro Transparente para extrair os valores mais recentes de cada indicador. Se os dados ainda não foram atualizados, use os balancetes e o balanço patrimonial do último exercício para replicar o cálculo internamente.
Passo 2: identificar as causas-raiz, não os sintomas
Cada indicador tem suas alavancas específicas:
- Endividamento alto: origem mais comum são contratos de operações de crédito anteriores somados a parcelamentos de dívidas previdenciárias. A solução passa por amortização antecipada e renegociação de passivos.
- Poupança corrente baixa: quase sempre ligada a crescimento da folha de pessoal acima da receita, contratos de custeio caros ou vinculações erradas de receita. Requer revisão estrutural do gasto corrente.
- Liquidez comprometida: frequentemente causada por resto a pagar acumulado ou ARO mal gerenciada. Medidas de curto prazo — reduzir novos empenhos sem cobertura — têm efeito mais rápido.
Passo 3: montar um plano fiscal com metas por exercício
O plano precisa ser quantitativo: "reduzir o DC/RCL de 80% para 65% até dezembro do próximo exercício" é uma meta gerenciável. "Melhorar as finanças" não é. Para cada indicador com problema, defina:
- O valor atual e o valor-alvo;
- As ações específicas (quais contratos amortizar, quais despesas cortar, quais receitas ampliar);
- O responsável e o prazo;
- O indicador de acompanhamento mensal.
Municípios que integram o plano CAPAG ao PPA e à LDO têm muito mais chance de êxito: as metas fiscais ganham força de lei e viram referência para toda a equipe de planejamento.
Passo 4: monitorar mensalmente e corrigir a rota
A CAPAG é atualizada pelo Tesouro Nacional com a cadência das declarações no SICONFI — o que significa que os indicadores mudam ao longo do ano. Acompanhe os valores mensalmente, compare com o plano e ajuste. Se uma receita ficou aquém do previsto, o corte de despesa correspondente precisa acontecer antes do fechamento do exercício, não depois.
Municípios que mantêm esse ciclo de monitoramento-ajuste durante dois ou três exercícios consecutivos raramente ficam presos na nota C. O desafio não é técnico — é de disciplina e prioridade política.
Acompanhe os dados do seu município antes que virem problema.
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