O indicador de endividamento é o mais intuitivo dos três componentes da CAPAG: ele diz, em termos percentuais, o quanto a dívida total do município representa em relação à sua receita anual disponível. Quanto menor esse percentual, mais fôlego financeiro o ente tem — e melhor sua nota.
A fórmula e os limites de classificação
O indicador é expresso como:
DC = Dívida Consolidada Bruta ÷ Receita Corrente Líquida (RCL)
Os limites vigentes para classificação dos municípios são:
- Nota A: DC/RCL inferior a 60% — município com dívida confortável em relação à sua receita.
- Nota B: DC/RCL igual ou superior a 60% e inferior a 150% — nível intermediário, ainda elegível à garantia da União.
- Nota C: DC/RCL igual ou superior a 150% — endividamento alto, inelegível para garantias federais.
O que compõe a Dívida Consolidada Bruta
Muitos gestores confundem Dívida Consolidada com apenas os empréstimos bancários. Na metodologia CAPAG, o conceito é mais abrangente e inclui:
- Operações de crédito com instituições financeiras (CEF, BNDES, BDMG etc.);
- Dívidas com a União renegociadas (parcelamentos de PASEP, INSS, RPPS);
- Precatórios judiciais devidos e não pagos, em alguns contextos;
- Outras obrigações de longo prazo registradas no balanço patrimonial.
Municípios com muitos parcelamentos de dívidas previdenciárias — RPPS e RGPS — frequentemente se surpreendem com o tamanho real da Dívida Consolidada. Esses compromissos entram no numerador e pesam na nota mesmo quando a folha de pagamento está sob controle.
Estratégias para reduzir o DC/RCL
A relação pode ser melhorada por dois caminhos: reduzir o numerador (a dívida) ou aumentar o denominador (a RCL). Na prática, ambos devem ser perseguidos simultaneamente.
Pelo lado da dívida
- Amortizar antecipadamente parcelas de contratos de crédito, quando o contrato permitir sem multa.
- Renegociar condições de parcelamentos de dívidas previdenciárias, estendendo o prazo ou reduzindo o saldo devedor via acordo.
- Evitar novas operações de crédito que não gerem retorno superior ao custo — dívida para custeio é a pior escolha fiscal.
Pelo lado da receita
- Ampliar a arrecadação própria por meio de recadastramento imobiliário, atualização da planta genérica de valores e fiscalização tributária ativa.
- Recuperar créditos inscritos em dívida ativa por meio de programas de parcelamento (REFIS municipais).
- Monitorar mensalmente o FPM e outras transferências para detectar desvios que possam reduzir a RCL projetada no ano.
Municípios com nota C exclusivamente pelo endividamento — e com poupança corrente e liquidez em A ou B — têm um caminho relativamente mais claro: concentrar esforços em amortização e na ampliação da base tributária nos próximos exercícios.
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