Emendas & convênios

Emendas PIX: os 10 municípios que mais receberam (2020-2026)

Ranking exclusivo com dados do Transferegov: os 10 municípios que mais receberam Emendas PIX entre 2020 e 2026. Carapicuíba recebeu quase o dobro de São Paulo capital, e uma cidade de 7.848 habitantes levou R$ 154 milhões.

Emendas PIX: os 10 municípios que mais receberam (2020-2026) Emendas & convênios §

Entre 2020 e agosto de 2026, o Brasil destinou R$ 34,0 bilhões a municípios e estados por meio das Emendas PIX — as transferências especiais criadas pela Emenda Constitucional 105/2019. Desse total, R$ 29,7 bilhões já foram efetivamente pagos, distribuídos em 56.088 planos de ação. Mas esse dinheiro não chega de forma uniforme: alguns municípios receberam centenas de milhões, e cidades de menos de 10 mil habitantes aparecem à frente de capitais.

Levantamos, na base consolidada do FacilitaGOV a partir dos dados abertos do Transferegov, quais foram os 10 municípios que mais receberam Emendas PIX no período — e, na sequência, quais foram os campeões quando o valor é dividido pela população. O resultado ajuda a entender uma dinâmica que todo gestor municipal conhece na prática: o peso do padrinho parlamentar.

O que é uma Emenda PIX (transferência especial)

A Emenda PIX é o apelido popular da transferência especial, prevista no art. 166-A da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional 105/2019. Nela, o parlamentar destina recursos da sua emenda individual diretamente ao ente federado beneficiado, sem celebração de convênio ou instrumento congênere.

Na prática, o dinheiro cai na conta do município e só depois o gestor elabora o plano de trabalho, define executores, metas e presta contas. É o inverso do fluxo tradicional de convênio, em que a proposta e o plano de trabalho vêm antes do repasse. Esse desenho deu velocidade ao repasse — e, por isso mesmo, colocou as Emendas PIX no centro do debate sobre transparência e rastreabilidade do gasto público.

Há regras importantes que acompanham o recurso: pelo menos 70% do valor deve ser aplicado em despesas de capital (investimento), e é vedado o uso em despesas com pessoal e encargos sociais (ativos, inativos e pensionistas) e em serviço da dívida. Se você ainda está se ambientando com o instrumento, vale ler antes o nosso guia sobre Emenda PIX: transferência especial, regras e cuidados para o município.

O retrato nacional: R$ 34 bilhões em 56 mil planos de ação

Antes de olhar o ranking, três números dão a dimensão do instrumento no período de 2020 a agosto de 2026:

O plano de ação é a unidade básica desse universo: cada um representa uma destinação específica de um parlamentar a um ente, com seus próprios valores de custeio e investimento, situação, executores e pagamentos. Um mesmo município pode acumular dezenas deles ao longo dos anos.

Ranking: os 10 municípios que mais receberam Emendas PIX

A tabela abaixo mostra os 10 municípios com maior valor total destinado em Emendas PIX entre 2020 e agosto de 2026, com o número de planos de ação e o valor por habitante (população do IBGE).

#MunicípioTotal destinadoPlanosPor habitantePopulação
1Macapá/APR$ 237,2 milhões77R$ 484489.676
2Carapicuíba/SPR$ 199,2 milhões82R$ 500398.236
3São Luiz do Anauá/RRR$ 154,4 milhões46R$ 19.6687.848
4São João de Meriti/RJR$ 101,7 milhões25R$ 218466.503
5São Paulo/SPR$ 100,2 milhões64R$ 811.904.961
6Mucajaí/RRR$ 94,6 milhões43R$ 4.72820.006
7Sena Madureira/ACR$ 89,4 milhões38R$ 2.02944.049
8Iracema/RRR$ 80,6 milhões34R$ 7.37410.937
9Caroebe/RRR$ 80,3 milhões46R$ 6.69312.004
10Coari/AMR$ 77,5 milhões9R$ 1.05373.576

Três leituras que saltam da tabela

1. O ranking não é dominado por capitais. Das dez posições, apenas duas são ocupadas por capitais: Macapá, em primeiro, e São Paulo, em quinto. Nas transferências tradicionais — FPM, FUNDEB, repasses fundo a fundo da saúde — o porte populacional manda no volume. Aqui, não. A Emenda PIX é uma decisão individual de parlamentar, e a régua é política, não demográfica.

2. Carapicuíba recebeu quase o dobro de São Paulo capital. São R$ 199,2 milhões contra R$ 100,2 milhões. Considerando as populações (398.236 contra 11.904.961 habitantes), Carapicuíba recebeu 62 vezes mais por habitante que a capital paulista: R$ 500 contra R$ 8. É o retrato mais didático de como o instrumento distribui recursos por outro critério que não o tamanho da cidade.

3. Roraima coloca quatro municípios no top 10. São Luiz do Anauá (3º), Mucajaí (6º), Iracema (8º) e Caroebe (9º) somam quatro das dez posições — em um estado com pouco mais de uma dezena e meia de municípios. Nenhum deles tem 21 mil habitantes. Quando poucos municípios dividem a atenção de uma bancada federal inteira, o valor por cidade sobe muito.

Campeões per capita: quando o valor por morador explode

Dividir o total pela população muda completamente a foto. A tabela a seguir traz os cinco municípios com maior valor de Emenda PIX por habitante, considerando apenas cidades com no mínimo 5 planos de ação (para evitar distorções de um único repasse pontual).

#MunicípioPor habitanteTotal destinadoPopulação
1São Luiz do Anauá/RRR$ 19.668R$ 154,4 milhões7.848
2Itaubal/APR$ 9.447R$ 57,6 milhões6.097
3Curral Velho/PBR$ 9.279R$ 21,5 milhões2.316
4Cutias/APR$ 7.988R$ 37,7 milhões4.723
5Pracuúba/APR$ 7.447R$ 30,1 milhões4.048

O que significa uma cidade de 8 mil habitantes receber R$ 154 milhões

São Luiz do Anauá, em Roraima, tem 7.848 habitantes e recebeu R$ 154,4 milhões em Emendas PIX no período — R$ 19.668 por morador, algo em torno de 2.400 vezes o per capita da capital paulista. É um volume que, em um município desse porte, pode superar em várias vezes o orçamento anual da prefeitura.

Não há aqui nenhum juízo sobre a legalidade ou o mérito dessas destinações: o instrumento é constitucional e o repasse a municípios pequenos pode, sim, financiar obras estruturantes que nunca caberiam no orçamento próprio. O ponto é outro, e é de gestão: quando o volume de recurso é desproporcional ao tamanho da estrutura administrativa, a capacidade de executar, comprovar e prestar contas vira o gargalo real.

Municípios pequenos costumam ter contabilidade enxuta, poucos servidores dedicados a convênios e nenhuma equipe exclusiva de captação. Receber R$ 150 milhões nessas condições significa administrar dezenas de planos de ação simultâneos, cada um com plano de trabalho, executores, metas, pagamentos e relatório de gestão. É exatamente onde as prefeituras mais tropeçam — como detalhamos em os pontos onde prefeituras mais perdem prazo em emendas e convênios.

Vale lembrar que a prestação de contas das transferências especiais deixou de ser um detalhe burocrático: o assunto entrou no radar do controle e há consequências concretas para o gestor omisso, tema que tratamos em prestação de contas de Emendas PIX. E se você ainda confunde os tipos de destinação, o guia sobre tipos de emenda parlamentar organiza o mapa.

O que o gestor deve tirar desse ranking

Três conclusões práticas:

  1. Tamanho não define quanto seu município recebe. Relação parlamentar, articulação e presença na agenda da bancada pesam mais do que população. Cidades pequenas podem — e conseguem — captar volumes altos.
  2. Recurso que entra sem convênio ainda precisa ser executado. O dinheiro cair na conta é o começo, não o fim. Plano de trabalho, execução, os 70% em despesa de capital e o relatório de gestão continuam sendo obrigação do município.
  3. Quem não acompanha, descobre tarde. Uma emenda destinada, um pagamento efetuado ou um impedimento técnico registrado mudam o quadro do município sem nenhum aviso automático do sistema federal.

Perguntas frequentes

Qual município mais recebeu Emendas PIX no Brasil?

Entre 2020 e agosto de 2026, Macapá/AP lidera em valor absoluto, com R$ 237,2 milhões destinados em 77 planos de ação, seguida de Carapicuíba/SP (R$ 199,2 milhões) e São Luiz do Anauá/RR (R$ 154,4 milhões).

Quanto o Brasil destinou em Emendas PIX?

R$ 34,0 bilhões foram destinados via transferências especiais de 2020 a agosto de 2026, dos quais R$ 29,7 bilhões já foram pagos, distribuídos em 56.088 planos de ação.

Qual o município que mais recebeu Emenda PIX por habitante?

São Luiz do Anauá/RR, com R$ 19.668 por habitante — R$ 154,4 milhões para uma população de 7.848 pessoas, considerando municípios com pelo menos 5 planos de ação.

Emenda PIX precisa de convênio?

Não. Na transferência especial do art. 166-A da Constituição, o repasse é feito diretamente ao ente beneficiado, sem convênio ou instrumento congênere. O plano de trabalho é elaborado pelo município depois do recebimento.

Em que a Emenda PIX pode ser aplicada?

Pelo menos 70% do valor deve ir para despesas de capital (investimento). É vedada a aplicação em despesas com pessoal e encargos sociais — de ativos, inativos e pensionistas — e em encargos do serviço da dívida.

Como saber quanto meu município recebeu de Emenda PIX?

Os dados são públicos e estão no módulo de Transferências Especiais do Transferegov. Consultá-los manualmente, plano por plano, é trabalhoso — o FacilitaGOV consolida tudo por município e avisa quando entra uma nova destinação.

Nota de metodologia

Dados do módulo de Transferências Especiais do Transferegov (dados abertos do Governo Federal), consolidados pelo FacilitaGOV por município beneficiário. Valores destinados (custeio + investimento) de 2020 a agosto de 2026. População: IBGE.

Quanto o seu município recebeu?

Quer saber quanto o SEU município recebeu em Emendas PIX — e receber alerta quando chegar uma nova? O FacilitaGOV mostra, emenda por emenda, pagamento por pagamento: parlamentar autor, valor destinado, valor já pago, área da política pública, situação do plano de trabalho e pendências que travam a execução.

E o mais importante: quando um novo recurso é destinado ao seu município, quando um pagamento é efetuado ou quando surge um impedimento técnico, você recebe um alerta no celular — em vez de descobrir meses depois. Além das Emendas PIX, a plataforma monitora CAUC, CAPAG, FUNDEB, repasses da saúde, convênios e emendas parlamentares tradicionais, tudo em um painel só.

Conheça o FacilitaGOV e veja os dados do seu município.

Foto de Alan Martins na Unsplash.

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