Em 2012, o PNUD Brasil, o Ipea e a Fundação João Pinheiro adaptaram a metodologia do IDH Global para produzir o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) dos 5.565 municípios brasileiros. O resultado foi o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil — uma das ferramentas de diagnóstico territorial mais completas disponíveis para gestores públicos. O IDHM varia entre 0,000 e 1,000: quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano da localidade.
As três dimensões do IDHM
O índice compõe-se de três subíndices calculados a partir dos dados dos Censos Demográficos:
- IDHM Longevidade: calculado com base na expectativa de vida ao nascer. Reflete as condições de saúde, saneamento e qualidade de vida da população.
- IDHM Educação: combina dois indicadores — a escolaridade da população adulta (proporção de adultos com ensino fundamental completo) e o fluxo escolar da população jovem (proporção de crianças e jovens frequentando a série adequada para sua faixa etária).
- IDHM Renda: calculado a partir da renda per capita média dos residentes, extraída do questionário de amostra do Censo.
O IDHM geral é a média geométrica dos três subíndices — diferente do IDH Global, que usa média aritmética. A média geométrica penaliza desigualdades entre dimensões: um município com IDHM Longevidade elevado mas IDHM Educação muito baixo terá índice geral inferior ao que teria com a média aritmética.
Como interpretar a escala
O Atlas do Desenvolvimento Humano classifica os municípios em cinco faixas:
- Muito baixo: de 0,000 a 0,499
- Baixo: de 0,500 a 0,599
- Médio: de 0,600 a 0,699
- Alto: de 0,700 a 0,799
- Muito alto: de 0,800 a 1,000
Comparar o IDHM municipal com a média estadual e nacional é mais informativo do que o índice isolado. Um IDHM de 0,690 pode estar acima da média regional em estados com menor desenvolvimento, mas abaixo da meta em contextos mais desenvolvidos.
Limitações e pontos de atenção
O IDHM é calculado com base nos dados do Censo Demográfico. Com o Censo 2022 concluído, uma atualização ampla dos índices municipais está prevista — os valores publicados no Atlas referem-se ao Censo 2010. Isso significa que o IDHM atual de muitos municípios pode estar significativamente diferente dos valores consultáveis. Para políticas públicas contemporâneas, recomenda-se complementar a análise com indicadores mais recentes, como a taxa de pobreza multidimensional do Cadastro Único e os dados anuais do CNIS.
Para acessar o IDHM e os subíndices de todos os municípios, o caminho é o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, mantido pelo Ipea, PNUD e FJP.
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